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As crianças passam grande parte do seu tempo na escola, um
ambiente onde as regras são uma característica essencial. Às crianças é
requerido que ouçam, sigam as instruções, respeitem os outros, aprendam o que
lhes é ensinado, se empenhem na aprendizagem e, sobretudo, que passem longas
horas sentadas, ouvindo mais do que falando.
As crianças com DDAH têm muitas dificuldades em cumprir
as regras definidas ou em manter o empenho nas actividades dirigidas pelo
adulto. Os comportamentos perturbadores e as dificuldades de aprendizagem, que
lhes estão associadas, são manifestações muito frustrantes para o professor
e para a criança, podendo conduzir ao desenvolvimento de sentimentos mútuos de
aversão ou mesmo de hostilidade (Vasquez, 1997). Assim, é importante
estabelecer estratégias que permitam, com mais facilidade, ajustar o
comportamento da criança, de tal modo que esta aprenda e deixe que os outros
alunos, da turma onde se encontra integrada, aprendam também.
É importante ter sempre presente que a DDAH é uma
perturbação crónica de base orgânica, cujas manifestações são agravadas
pelas características ambientais, que é tratável mas não é curável, e que
se prolongará por todo o percurso escolar do aluno (Pfiffner & Barkley,
1998).
Segundo DuPaul & Stoner (1994) os problemas
comportamentais e os problemas de aprendizagem estão intimamente ligados. O
tratamento, que tradicionalmente investia mais nos aspectos comportamentais, será
mais eficaz se investir também no rendimento nas áreas académicas. A melhoria
destas conduz à diminuição dos comportamentos perturbadores, pelo que a
metodologia mais adequada para o atendimento destas crianças
deve incidir nos problemas da aprendizagem a par das condutas
perturbadoras (DuPaul & Stoner 1994; Vasquez, 1997; Pfiffner & Barkley,
1998).
Deve-se, ainda, ter presente que a intervenção não se
deve focalizar apenas na criança mas também nos contextos onde ocorrem os seus
comportamentos. Os professores devem, pois, assumir uma perspectiva mais
educativa e menos comportamentalista, agindo não só sobre os consequentes
(reforço positivo, custo da resposta, etc.) mas também nos antecedentes, que
estão mais ligados ao contexto educativo. Um plano de intervenção deve
incluir, assim, as estratégias e os recursos de que o professor vai dispor para
manipular o contexto, de tal forma que um comportamento indesejável não chegue
a ocorrer ou seja substituído por um comportamento desejável.
As crianças com perturbações nestas áreas funcionam
melhor se o ambiente for previsível, se respeitar rotinas facilmente
compreendidas pela criança e se induzir sentimentos de conforto, de
estabilidade e de segurança, isto é, se for um ambiente bem estruturado.
Para Pfiffner & Barkley
(1998), a intervenção mais eficaz, e que conduz a uma melhoria no
rendimento escolar, é aquela que se desenvolve no contexto escolar e no exacto
momento de realização do comportamento, através da aplicação de consequências
positivas mais salientes e frequentes e de consequências negativas mais
consistentes, associadas a uma adequada adaptação do ambiente.
As listas de verificação que se seguem visam oferecer
alguns exemplos de modificações que podem ser operadas no ambiente da sala de
aula e nos métodos de trabalho do professor para facilitar a integração e o
sucesso escolar da criança com DDAH (adaptado de S. Rief , 1998):
ADAPTAÇÕES:
Sentar a criança numa área com poucos distractores.
Colocar os alunos de forma a que todos possam ver o quadro.
Evitar toda a fonte de estimulação que não seja o próprio material de
aprendizagem.
Ajudar a manter a área de trabalho da criança livre de materiais
desnecessários.
Dar oportunidades à criança para se movimentar.
Identificar sons do exterior que possam perturbar o aluno.
Proporcionar um local na sala onde a criança possa trabalhar
isoladamente, se necessário.
Manter na sala "cantinhos", onde a criança possa fazer alguma
actividade manual ou artística.
Estabelecer e realizar tarefas de forma rotineira.
Estabelecer regras bem claras e exigir o seu cumprimento.
Construir listas de verificação para que o aluno se organize.
Fazer uma pergunta interessante, especulativa,
usar uma imagem, contar uma pequena história ou ler um poema para gerar a
discussão e o interesse na lição que se seguirá.
Experimentar uma brincadeira, uma bobagem, uma teatralização para
despertar a atenção e aguçar a curiosidade.
Contar uma história. As crianças de todas as idades gostam de ouvir
histórias, especialmente histórias pessoais. É a forma mais eficaz de ganhar
a atenção.
Adicionar um pouco de mistério. Levar um objecto relevante para a aula
numa caixa ou num saco. É uma forma fantástica de despertar a curiosidade e a
vontade de adivinhar e pode conduzir a excelentes discussões ou servir de
motivação para a expressão escrita.
Chamar a atenção dos alunos com algum som: uma campainha, um
despertador, etc.
Variar o tom de voz: alto, suave, sussurrante. Experimentar dar uma ordem
num tom de voz elevado "Atenção! Parados! Prontos!" seguido de
alguns segundos de silêncio antes de prosseguir num tom de voz normal para dar
instruções.
Usar sinais visuais: acender e apagar as luzes ou levantar as mãos o que
indicará aos alunos que devem levantar a sua mão e fechar a boca até que
todos estejam calados.
Enquadrar o material visual para o qual se pretende a atenção dos
alunos com as mãos ou com outro material colorido.
Se estiver a usar o retroprojector, iniciar com a projecção de uma
imagem divertida no écran para despertar a atenção.
Usar a cor para despertar a atenção.
Demonstrar e modelar entusiasmo e excitação sobre a lição que se
seguirá.
Usar o contacto visual. Fazer com que os alunos olhem para o professor
quando este se lhes dirige.
Empregar estratégias multi-sensoriais quando falar para os alunos.
Projectar a voz, tendo a certeza de que se está a ser ouvido por todos
os alunos.
Chamar os alunos para a frente, para perto do professor, se o objectivo
é uma lição expositiva.
Explicar a finalidade e a relevância da aula para prender
a atenção dos alunos.
Incorporar demonstrações e actividades manuais na lição, sempre que
possível.
Usar uma lanterna de bolso ou um apontador laser: desligar a luz e captar
a atenção dos alunos iluminando os objectos relevantes.
Usar guias de estudo incompletos que serão preenchidos pelos alunos à
medida que for prosseguindo a aula. Estes preencherão as lacunas com base no
que o professor for dizendo ou escrevendo.
Usar material visual. Escrever palavras-chave ou desenhos no quadro
enquanto dá a aula. Usar material apelativo como desenhos, gestos, diagramas,
objectos.
Ilustrar profusamente. Não importa que não desenhe bem. Encorajar os
alunos a desenhar também, mesmo que não haja talento para o desenho. Os
desenhos desajeitados, às vezes são melhores para ajudar a lembrar determinada
matéria.
Usar um apontador cómico para orientar a atenção dos alunos para o que
se quer mostrar.
Levar os alunos a escrever pequenas notas ou ilustrações sobre
aspectos-chave da aula.
Ajustar o ritmo da aula à capacidade de compreensão do aluno.
Alternar actividades paradas com actividades mais activas.
Conceder mais tempo para completar as tarefas.
Reduzir a quantidade e a extensão do trabalho e dos testes.
Espaçar pequenos períodos de trabalho com paragens ou mudança de
tarefa.
Estabelecer limites precisos para terminar as tarefas.
Estabelecer contratos escritos com prémios para a finalização de determinadas tarefas.
Deslocar-se pela sala para manter a visibilidade.
Organizar a matéria a ensinar em temas, sempre que possível, permitindo
que se estabeleçam ligações entre os diferentes aspectos.
Fazer a apresentação da matéria a ensinar de uma forma viva e a um
ritmo ligeiro, evitando momentos mortos na aula.
Permitir que os alunos falem e não se limitem a ouvir, reduzindo ao máximo
possível o tempo que o professor passa a falar.
Estruturar a aula de maneira que se formem pequenos grupos ou pares de
alunos para maximizar o envolvimento e a atenção dos alunos.
Fazer uso frequente de respostas em coro, sobretudo quando é possível
uma resposta com poucas palavras. Durante a aula, parar com frequência e levar
os alunos a repetir em coro uma ou duas palavras-chave.
Usar o computador, sempre que disponível, para desenvolver determinadas
competências. O computador pode ser uma ferramenta muito apelativa.
Fazer uma apresentação geral da lição antes de a começar.
Relacionar a informação nova com a experiência da criança.
Usar exemplos concretos antes de seguir para o abstracto.
Dividir as tarefas complexas em tarefas mais pequenas.
Reduzir o número de conceitos apresentados de uma vez.
Levar os alunos a verbalizar as instruções e os conteúdos aprendidos.
Complementar as instruções orais com instruções escritas.
Evitar o uso de linguagem abstracta como metáforas ou trocadilhos.
Destacar a informação mais importante.
Usar frases curtas e reduzidas ao essencial do assunto em estudo.
Chamar a atenção do aluno antes de apresentar aspectos chave.
Familiarizar o aluno com o novo vocabulário.
Evitar que seja necessário tomar muitas notas do quadro ou copiar muita
informação dos livros.
Usar fichas de aplicação bem organizadas, evitando a confusão de
elementos.
Dar pistas ou dicas ao aluno para que ele inicie o trabalho
Evitar pressionar demasiado o aluno para se despachar ou fazer correcto.
Estabelecer na classe um ambiente mais cooperativo e menos competitivo.
Utilizar ao máximo possível as estratégias de aprendizagem
cooperativa.
Usar o trabalho de grupo de forma adequada, não apenas trabalhar em
grupo. As crianças com DDAH têm dificuldade em integrar-se em grupos mal
estruturados em que os papeis não estão bem definidos.
Ter a certeza de que todos os alunos compreendem o trabalho que têm de
fazer antes de os pôr a trabalhar individualmente.
Designar um colega para acompanhar o aluno verificando se este
compreendeu as tarefas.
Dar, para trabalho individual aos alunos, o tipo de trabalho que sabemos
que eles serão capazes de completar.
Providenciar outro trabalho de fácil execução no caso de o aluno ter
de esperar pela ajuda do professor.
Utilizar os alunos para ajudar outros alunos enquanto o professor está
ocupado com um determinado grupo.
Utilizar os colegas para ler para o aluno as informações mais
importantes.
Utilizar os colegas para incentivar o aluno a permanecer na tarefa (de
forma mútua).
Ter sinais que os alunos podem usar para sinalizar o professor de que
precisam de ajuda (uma bandeira, ou outro sinal qualquer que haja sido
combinado).
Verificar com frequência o que se passa na sala. Todos os alunos
precisam de reforço positivo. Fazer comentários positivos com frequência e
elogiar os alunos.
Alguns alunos gostam de competir com o relógio. Um simples despertador
ou cronómetro pode incentivá-los a despacharem-se no trabalho.
Estabelecer um sistema de prémios, em que os alunos recebem um
determinado brinde se atingirem um objectivo previamente definido.
Permitir instrumentos de avaliação alternativos (apresentação oral,
resposta múltipla, etc.)
Estabelecer, de comum acordo, expectativas realistas quanto aos
resultados a alcançar.
Aceitar respostas com as palavras chave apenas.
Antecipar e prevenir os problemas, sempre que possível.
Estabelecer regras precisas e consequências claras.
Evitar uma linguagem de confronto.
Estabelecer alternativas para comportamentos inadequados.
Estabelecer na sala um local para "esfriar".
Elogiar generosamente os comportamentos adequados.
Ignorar comportamentos. Alguns comportamentos perderão o impacto se
forem ignorados.
Evitar, tanto quanto possível, dar atenção a comportamentos
inadequados iniciados apenas com esse objectivo.
Evitar criticar o aluno.
Verificar os níveis de tolerância e ser compreensivo perante sinais de
frustração.
Falar em privado com o aluno acerca dos seus comportamentos inapropriados.
Providenciar comportamentos alternativos aos comportamentos indesejados.
Remover objectos que possam iniciar um comportamento não desejado.
Reagir com humor em momentos de tensão para a aliviar.
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