Para o diagnóstico desta perturbação, o DSM-IV da
American Psychiatric Association descreve nove sintomas de falta
de atenção e nove sintomas de hiperactividade
- impulsividade. Os sintomas descritos podem, em
algum momento, ser observados em qualquer crianças, fruto da sua natural
irrequietude, o que não quer dizer que ela sofre de qualquer
perturbação. Devem, por isso, ser seguidos os critérios
de diagnóstico referidos no fim desta página,
A atenção é um requisito fundamental para o processo de
aprendizagem, devendo ser selectiva e contínua, isto é, orientada para um estímulo
relevante de entre outros e manter-se nele por um período de tempo alargado. A
atenção de uma criança com esta problemática dispersa-se facilmente com estímulos
irrelevantes para a tarefa que está a realizar. A criança tem problemas em
orientar a sua atenção de acordo com um processo organizado de prioridades a
conceder aos estímulos que o meio lhe vai fornecendo
Os sintomas que, segundo o DSM-IV, são indicadoras de
falta de atenção, a qual adquirirá características patológicas se, com
frequência, forem verificados pelo menos seis deles, são os seguintes:
1.
Não prestar atenção suficiente aos pormenores ou cometer erros por
descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras actividades lúdicas.
2.
Ter dificuldade em manter a atenção em tarefas ou actividades.
3.
Parecer não ouvir quando se lhe dirigem directamente.
4.
Não seguir as instruções e não terminar os trabalhos escolares ou
outras tarefas.
5.
Ter dificuldade em organizar-se.
6.
Evitar as tarefas que requerem esforço mental persistente.
7.
Perder objectos necessários a tarefas ou actividades que terá de
realizar.
8.
Distrair-se facilmente com estímulos irrelevantes.
9.
Esquecer-se com frequência de actividades quotidianas ou de algumas
rotinas.
Problemas no controlo dos movimentos do corpo, uma
excessiva actividade motora e uma necessidade de estar em constante movimento, são
as manifestações essenciais da criança hiperactiva. Segundo o DSM-IV, uma
criança hiperactiva deverá apresentar persistentemente os seguintes sintomas:
1.
Movimentar excessivamente as mãos e os pés e mover-se quando está
sentado.
2.
Levantar-se na sala ou noutras situações em que se espera que esteja
sentado.
3.
Correr ou saltar excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo.
4.
Ter dificuldade para se dedicar tranquilamente a um jogo.
5.
Agir como se estivesse ligado a um motor.
6.
Falar em excesso.
Para Isabel Villar, a criança com DDAH apresenta uma
conduta imatura e inadequada porque não tem capacidade suficiente para
reflectir nem a maturidade suficiente para analisar eficazmente uma situação
real ou imaginária.
A impulsividade tem manifestações a nível emocional e
cognitivo. A falta de controlo emocional leva a criança a agir sem reflectir e
sem avaliar as consequências dos seus actos, numa busca imediata de satisfação
do desejo sentido.
A baixa tolerância à frustração conduz a manifestações
de irritabilidade, em consequência das tensões criadas pelos comportamentos
imprevisíveis, e à labilidade afectiva com reflexos na auto-estima (Vasquez,
1997).
É de salientar que a criança com DDAH é mais propensa a
acidentes em virtude da sua impulsividade ou aparente baixa consciência do
risco.
A nível cognitivo, as manifestações de impulsividade
afectam sobretudo o desempenho escolar. Um comportamento cognitivo impulsivo
leva a criança a responder aos estímulos sem um processo adequado de análise
da informação percebida. Assim, pode apresentar dificuldades nas tarefas mais
complexas como a leitura, a escrita e a matemática.
Segundo o DSM-IV, uma criança impulsiva deverá apresentar
persistentemente os seguintes sintomas:
7.
Precipitar as respostas antes que as perguntas tenham acabado.
8.
Ter dificuldade em esperar pela sua vez.
9.
Interromper ou interferir nas actividades dos outros (intrometer-se nas
conversas ou nos jogos).
Dizer que um determinado comportamento é muito "hiper"
pode ser bastante subjectivo: se a actividade for admirada a criança pode ser
descrita como entusiástica e energética e não hiperactiva (Smith, 1998). É
por isso que não é muito fácil diagnosticar a DDAH. Pelo DSM-IV verifica-se
que os sintomas descritos serão discriminadores do défice se obedecerem aos
seguintes critérios:
1.
Quantidade. Devem estar presentes pelo menos seis dos sintomas de
falta de atenção ou de hiperactividade-impulsividade.
2.
Duração. Tiverem persistido por um período mínimo de seis
meses com uma intensidade que é simultaneamente desadaptativa e inconsistente
com o nível de desenvolvimento do indivíduo.
3.
Início. Tiverem início antes dos sete anos de idade (antes da
idade escolar).
4.
Contexto. Acontecerem em dois ambientes ou contextos diferentes
(escola e casa, por exemplo).
5.
Provas. Existirem provas claras de um défice claramente
significativo do funcionamento social e académico ou laboral.
6.
Exclusão. Os sintomas não são devidos a outra perturbação
mental.

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